segunda-feira, 30 de maio de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Informações sobre a redação do Enem
E-mail de Fabiano
B.: “Estou procurando
informações para melhorar minha nota de redação que é de 720 pontos. Andei
lendo algumas redações com nota máxima e os métodos de quem tira a nota 1000
são diferentes das informações que obtenho pesquisando na internet. Me disseram
para aplicar conceitos de duas áreas do conhecimento na introdução para
formular a minha tese. Manter a coesão e coerência no desenvolvimento e
utilizar duas camadas da sociedade na proposta de intervenção. Mas vejo que as
redações que tiraram nota 1000 utilizam outras formas. Então gostaria que se
você pudesse me recomendasse alguns livros onde eu possa encontrar mais
informações ou alguns sites que eu possa encontrar mais informações. Obrigado.”
****
Alô, Fabiano:
Cuidado com as orientações que estão lhe
dando. Na introdução, por exemplo, ninguém é obrigado a aplicar conceitos de
duas áreas do conhecimento (de onde tiraram isso?). O que se deve fazer nela,
basicamente, é apresentar o tema e, dentro do possível, o ponto de vista. A coesão e a coerência devem existir em todo o texto, e não apenas no desenvolvimento. Tampouco existe a obrigatoriedade de "utilizar duas camadas da sociedade na proposta de intervenção", que deve sobretudo se articular com o que foi argumentado. Propostas que nada
têm a ver com o ponto de vista e o desenvolvimento são gratuitas, caem no
vazio.
No endereço abaixo, você encontra boas dicas sobre a
redação no Enem:
Abraço,
quarta-feira, 30 de março de 2016
Pronome oblíquo antes de infinitivo não flexionado
E-mail de Ivana Gondim: “Professor, estou escrevendo um
conto e me surgiu uma dúvida. O correto é ‘Tenho medo de encontrá-la’ ou ‘Tenho
medo de a encontrar’? Obrigada.”
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Cara Ivana, antes de infinitivo não
flexionado é possível usar a próclise (pronome antes do verbo) ou a ênclise
(pronome depois do verbo). Assim, as duas formas estão gramaticalmente
corretas.
O motivo determinante para a
escolha deve ser, então, a eufonia. Qual das construções soa melhor? A meu ver,
a primeira (encontrá-la); a segunda (a encontrar) apresenta um desagradável
hiato (a-hen).
Abraço!
domingo, 24 de janeiro de 2016
"Mim" não pode ser sujeito
E-mail de Valério S.: “Professor, a
frase ‘No Brasil, seria muito difícil para mim fazer um curso de Medicina’ está
correta? É possível dizer ‘mim fazer’? Agradeço o esclarecimento.”
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Caro Valério, não é correto dizer “mim
fazer”, mas nessa frase o pronome oblíquo tônico (mim) não aparece como sujeito.
O agrupamento (ou sintagma) correto é “para mim”, e não “mim fazer”. Há uma
inversão dos termos oracionais.
Na ordem direta, o período tem a
seguinte distribuição: “No Brasil, fazer um curso de Medicina seria muito
difícil para mim.”. Considerar “mim”
como sujeito de “fazer” tornaria sem sentido a frase, pois não saberíamos a que
termo a expressão “seria muito difícil” se refere.
A frase está, pois, corretamente escrita.Abraço.
domingo, 17 de janeiro de 2016
Dúvida sobre texto motivador do Enem
E-mail de Fernando
L. M.: “Sou professor de língua portuguesa e trabalhei um texto motivador do
Enem de 2013 com o seguinte título "Qual o objetivo da Lei Seca ao
volante". Pergunto ao senhor: esse texto pode ser considerado com
predominância de INFORMATIVO e EXPOSITIVO ou INFORMATIVO e ARGUMENTATIVO? Grato
e ansioso pela orientação.”
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Caro Fernando, esse
texto visa a expor o objetivo da Lei
Seca, que é basicamente o de “alertar a sociedade para os perigos do álcool
associado à direção”. Ele não é, contudo, isento de argumentatividade. Como foi produzido na esfera do governo, faz um
juízo extremamente positivo sobre a edição da lei.
Tal juízo se traduz em
expressões elogiosas do tipo “ação enérgica”, “primeiro passo” ou “aquisição de
etilômetros”. Esse viés propagandístico reflete uma opinião e ignora eventuais
ressalvas ao modo como a lei vem sendo aplicada. Opiniões, como se sabe,
admitem contestação e são próprias do texto argumentativo.
Abraço.
domingo, 10 de janeiro de 2016
Concordância de "um dos + substantivo + que"
E-mail de Adolfo
C.: “Professor, devo dizer ‘O debate é um dos instrumentos que melhor definem (ou define) a democracia’? Obrigado.”
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Ambas as formas são aceitas, Adolfo.
Quando a locução “um dos que” vem intercalada por substantivo (um dos +
instrumentos + que), o verbo pode ir tanto para o plural quanto para o
singular.
No primeiro caso ele concorda com “instrumentos”,
representado pelo pronome relativo “que”. No segundo, concorda com o pronome
indefinido “um”. Entende-se a frase assim: “O debate é um, entre os (demais)
instrumentos, que melhor define a democracia.”. A concordância depende de que
se queira enfatizar o conjunto ou um instrumento em particular (no caso,
o debate).
Abraço.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Quando usar "através de"
E-mail de Sisano
F.: “Professor, está correta a frase: ‘Só se pode resolver isso através do
diálogo’? Ou devo dizer ‘por meio do diálogo’? Obrigado.”
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Caro Sisano, a
locução “através de” relaciona-se com “atravessar” e significa “por entre ”, “por dentro ” ou simplesmente
“pelo (a)”. É ainda
usada quando se manifesta
a ideia de extensão temporal
ou espacial :
“Seguiu através da rua” ou “Foi aprendendo através dos anos”.
Nem todos
condenam seu uso com o valor de instrumento ou
meio; segundo o Houaiss, nesse caso tem-se um emprego figurado. Sendo assim,
está correta a sua frase.
Abraço.
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