domingo, 3 de janeiro de 2016

Quando usar "através de"

E-mail de Sisano F.: “Professor, está correta a frase: ‘Só se pode resolver isso através do diálogo’? Ou devo dizer ‘por meio do diálogo’? Obrigado.”
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Caro Sisano, a locução “através de” relaciona-se com “atravessar” e significa “por entre”, “por dentro” ou simplesmente “pelo(a)”. É ainda usada quando se manifesta a ideia de extensão temporal ou espacial: “Seguiu através da rua” ou “Foi aprendendo através dos anos”. 
Nem todos condenam seu uso com o valor de instrumento ou meio; segundo o Houaiss, nesse caso tem-se um emprego figurado. Sendo assim, está correta a sua frase.

Abraço.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Uso de "como" em vez de "enquanto"

E-mail de Emílio F.: “Professor, está certo o uso de “enquanto” nesta frase: ‘Enquanto representante da turma, cabe a ele nos defender’? Obrigado.”
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Está não, Emílio. “Enquanto” não é preposição, e sim conjunção. Introduz oração que indica um fato simultâneo a outro, expresso na oração principal. Por exemplo: “Enquanto a mãe trabalha, ele estuda. Na sua frase, o melhor é substituir “enquanto” pela preposição “como”, que significa “na condição de”.

       Abraço.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

É correto falar em "boato falso"?

E-mail de Lúcia F.: “Professor, está correta a expressão ‘boato falso’? Todo boato não é uma invenção? Obrigada.”

Prezada Lúcia, em sua origem latina “boato” significa “berro ou mugido de boi”. Daí a palavra evoluiu para “som forte, estrepitoso” e, posteriormente, para “clamor de novidade”.
Um de seus sentidos hoje é o de “notícia desconhecida, muitas vezes infundada, que se divulga entre o público” (Houaiss). Ou seja, nem sempre o que se divulga num boato é invenção.
Segundo Luiz Antonio Sacconi, em seu “Dicionário de dúvidas, dificuldades e curiosidades da língua portuguesa”, “boato” significa “notícia de procedência anônima, falsa ou verdadeira”. Falar em “boato falso” não é, portanto, redundância.
Abraço. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Uso do artigo

        E-mail de Paulo Roberto P.: “Professor, parabéns pelo blog. Fantástico. Pode me auxiliar? Qual destas formas de escrever está correta? ‘Manhã da oração’ ou ‘Manhã de oração’? Obrigado.”
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Caro Paulo, o uso do artigo depende de o termo "oração" estar definido.

Se for, genericamente, uma manhã para se rezar, diz-se "manhã de oração" (qualquer que seja ela). Caso se trate de uma oração específica, já definida, deve-se dizer "manhã da oração".
Abraço.

domingo, 11 de outubro de 2015

A palavra "inerente"

    E-mail de Carla P.: “Professor, está correto o uso de ‘inerente’ nesta frase: ‘A mulher deixou de ter o seu destino social inerente à maternidade e ao casamento’? Obrigada.”
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         Está não, Carla. A palavra “inerente” designa um traço constitutivo de alguém ou algo. Isso independe de circunstâncias. A maternidade continua inerente à mulher, mas deixou de estar ligada ao seu papel social. 
      O correto, diante disso, é substituir “inerente” por “ligado” ou “vinculado”.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Vírgula antes de "com"

          E-mail de Letícia G.: “Professor, quando posso usar vírgula antes de ‘com’? Ex: ‘Aptos e coberturas de 3 e 2 quartos, com suíte e o melhor lazer do bairro.’ Obrigada’”.
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A vírgula antes de “com” introduzindo adjuntos é sintaticamente possível; deve-se, no entanto, observar o efeito semântico. A pausa representada pela vírgula desvincula o antecedente do termo introduzido pelo “com”.

      Aproveitando o seu exemplo: “quartos com suíte” constitui uma unidade autônoma; a preposição introduz um determinante de “quartos”. Com a vírgula, o sentido é outro; entende-se que o conjunto “com suíte e o melhor lazer do bairro” refere-se aos apartamentos e coberturas.

Dúvida sobre a flexão do infinitivo

       E-mail de Letícia G: “Professor, qual das seguintes frases está correta: ‘...eles optaram em realizar as ações’ ou ‘...eles optaram em realizarem as ações’?  Obrigada.”
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          Cara Letícia, o infinitivo não se flexiona quando tem o mesmo sujeito da oração principal (no caso, “eles”). Sendo assim, a forma correta é a primeira. Há outro problema em sua frase: o verbo “optar” introduz complemento por meio da preposição “por”, e não “em”. Deve-se então dizer: “eles optaram por realizar as ações”.