domingo, 24 de janeiro de 2016

"Mim" não pode ser sujeito

E-mail de Valério S.: “Professor, a frase ‘No Brasil, seria muito difícil para mim fazer um curso de Medicina’ está correta? É possível dizer ‘mim fazer’? Agradeço o esclarecimento.”
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Caro Valério, não é correto dizer “mim fazer”, mas nessa frase o pronome oblíquo tônico (mim) não aparece como sujeito. O agrupamento (ou sintagma) correto é “para mim”, e não “mim fazer”. Há uma inversão dos termos oracionais.
Na ordem direta, o período tem a seguinte distribuição: “No Brasil, fazer um curso de Medicina seria muito difícil para mim.”. Considerar “mim” como sujeito de “fazer” tornaria sem sentido a frase, pois não saberíamos a que termo a expressão “seria muito difícil” se refere.
          A frase está, pois, corretamente escrita.
          Abraço.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Dúvida sobre texto motivador do Enem

E-mail de Fernando L. M.: “Sou professor de língua portuguesa e trabalhei um texto motivador do Enem de 2013 com o seguinte título "Qual o objetivo da Lei Seca ao volante". Pergunto ao senhor: esse texto pode ser considerado com predominância de INFORMATIVO e EXPOSITIVO ou INFORMATIVO e ARGUMENTATIVO? Grato e ansioso pela orientação.”
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Caro Fernando, esse texto visa a expor o objetivo da Lei Seca, que é basicamente o de “alertar a sociedade para os perigos do álcool associado à direção”. Ele não é, contudo, isento de argumentatividade. Como foi produzido na esfera do governo, faz um juízo extremamente positivo sobre a edição da lei.
        Tal juízo se traduz em expressões elogiosas do tipo “ação enérgica”, “primeiro passo” ou “aquisição de etilômetros”. Esse viés propagandístico reflete uma opinião e ignora eventuais ressalvas ao modo como a lei vem sendo aplicada. Opiniões, como se sabe, admitem contestação e são próprias do texto argumentativo.
           Abraço. 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Concordância de "um dos + substantivo + que"

E-mail de Adolfo C.: “Professor, devo dizer ‘O debate é um dos instrumentos que melhor definem (ou define) a democracia’? Obrigado.”
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       Ambas as formas são aceitas, Adolfo. Quando a locução “um dos que” vem intercalada por substantivo (um dos + instrumentos + que), o verbo pode ir tanto para o plural quanto para o singular.

        No primeiro caso ele concorda com “instrumentos”, representado pelo pronome relativo “que”. No segundo, concorda com o pronome indefinido “um”. Entende-se a frase assim: “O debate é um, entre os (demais) instrumentos, que melhor define a democracia.”. A concordância depende de que se queira enfatizar o conjunto ou um instrumento em particular (no caso, o debate).


         Abraço.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Quando usar "através de"

E-mail de Sisano F.: “Professor, está correta a frase: ‘Só se pode resolver isso através do diálogo’? Ou devo dizer ‘por meio do diálogo’? Obrigado.”
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Caro Sisano, a locução “através de” relaciona-se com “atravessar” e significa “por entre”, “por dentro” ou simplesmente “pelo(a)”. É ainda usada quando se manifesta a ideia de extensão temporal ou espacial: “Seguiu através da rua” ou “Foi aprendendo através dos anos”. 
Nem todos condenam seu uso com o valor de instrumento ou meio; segundo o Houaiss, nesse caso tem-se um emprego figurado. Sendo assim, está correta a sua frase.

Abraço.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Uso de "como" em vez de "enquanto"

E-mail de Emílio F.: “Professor, está certo o uso de “enquanto” nesta frase: ‘Enquanto representante da turma, cabe a ele nos defender’? Obrigado.”
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Está não, Emílio. “Enquanto” não é preposição, e sim conjunção. Introduz oração que indica um fato simultâneo a outro, expresso na oração principal. Por exemplo: “Enquanto a mãe trabalha, ele estuda. Na sua frase, o melhor é substituir “enquanto” pela preposição “como”, que significa “na condição de”.

       Abraço.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

É correto falar em "boato falso"?

E-mail de Lúcia F.: “Professor, está correta a expressão ‘boato falso’? Todo boato não é uma invenção? Obrigada.”

Prezada Lúcia, em sua origem latina “boato” significa “berro ou mugido de boi”. Daí a palavra evoluiu para “som forte, estrepitoso” e, posteriormente, para “clamor de novidade”.
Um de seus sentidos hoje é o de “notícia desconhecida, muitas vezes infundada, que se divulga entre o público” (Houaiss). Ou seja, nem sempre o que se divulga num boato é invenção.
Segundo Luiz Antonio Sacconi, em seu “Dicionário de dúvidas, dificuldades e curiosidades da língua portuguesa”, “boato” significa “notícia de procedência anônima, falsa ou verdadeira”. Falar em “boato falso” não é, portanto, redundância.
Abraço. 

domingo, 15 de novembro de 2015

Uso do artigo

        E-mail de Paulo Roberto P.: “Professor, parabéns pelo blog. Fantástico. Pode me auxiliar? Qual destas formas de escrever está correta? ‘Manhã da oração’ ou ‘Manhã de oração’? Obrigado.”
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Caro Paulo, o uso do artigo depende de o termo "oração" estar definido.

Se for, genericamente, uma manhã para se rezar, diz-se "manhã de oração" (qualquer que seja ela). Caso se trate de uma oração específica, já definida, deve-se dizer "manhã da oração".
Abraço.